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Diário de uma overthinker ansiosa

Pequenos e grandes desabafos de alguém que tem um turbo que se acha multitasking na cabeça mas que é apenas meio trapalhão... e que, para ajudar à festa, ainda arranjou uns TOC's...

Pequenos e grandes desabafos de alguém que tem um turbo que se acha multitasking na cabeça mas que é apenas meio trapalhão... e que, para ajudar à festa, ainda arranjou uns TOC's...

Diário de uma overthinker ansiosa

30
Ago22

Assobia para o lado...

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Nos últimos dias tenho tentado uma técnica... sempre que sinto que algo me está a começar a ferver os nervos ou a deixar ansiosa pergunto a mim mesma... "é comigo?". Se não é, fecho os olhos (quando possível) e digo várias vezes "não é comigo... não tenho nada com isso... não são contas do meu rosário... assobia para o lado..."!

Se por um lado é mau pensar assim, por outro é o adequado quando se exponencia até a situação mais insignificante! E não é que tem resultado!? Consegui relativizar algumas situações que, noutros tempos, me teria levado a uma crise de ansiedade e uma ida ao fundo do poço!

Claro que, quando o assunto é amigos, família ou amigos que se tornaram família, o caso muda de figura! Já consigo não perguntar, logo, se está tudo ok sempre que tenho a sensação de que algo não está bem... mas a preocupação não deixa de estar lá. E acreditem... isso só demonstra a importância que têm para mim! No dia que não me preocupar com vocês ou não insistir que estou cá sempre para o que precisarem... esse será o dia em que desisti de vocês. 

A vossa "overthinker".

Tânia

30
Ago22

Tu és apenas tu...

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Às vezes sinto vergonha de mim... sinto que sou um nojo, uma nulidade de pessoa... que não sei fazer nada, que tenho medos absurdos, que não consigo lutar pelo que quero ou até que nunca irei ser amada na mesma intensidade com que eu amo... aliás, nem na mesma nem em nenhuma!

Chego a acreditar que o meu destino, nesta vida, é acabar sozinha e com os sonhos e as ambições desfeitas...

Sinto que sou um estorvo e que só ando cá para quando as pessoas precisam de mim. 

Não, não penso em morrer ou em fazer algo que me deixe a sofrer e muito... não estou assim tão desesperada, que acho que quem se suicida tem de estar num desespero tamanho que já só consegue ver o suicídio como solução. 

Acredito que sou demasiado exigente comigo mesma, mas lá está... é ter o anjinho num ombro a dizer "já dás o teu melhor, mais não podes fazer" e o diabinho no outro a dizer "mentira... tu é que és incompetente... não serves para nada a não ser um mau exemplo".

Nesses dias evito olhar-me ao espelho... mais ainda do que habitualmente evito. A imagem que vejo lá ainda me deixa pior. Não é, de todo, bonita de se ver... muito pelo contrário. Se a olho, vejo preguiça... vejo gula... vejo acomodação... vejo um ogre, que estaria bem era sozinho no seu pântano...

Sei que depende de mim mudar tudo isto, mas ultimamente não há forças para mais do que aceitar o que vejo e o que penso...

Talvez depois das férias consiga ter forças para lutar... não sei... logo se verá...

A vossa "overthinker".

Tânia.

24
Ago22

Alvorada mental...

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São 5:30 quando começo a escrever este texto. Há uma hora que estou acordada...

Ultimamente, o meu cérebro entende que a alvorada é às 4:30 da manhã, independentemente de eu ter adormecido às 22 ou à 1... 4:30 e aí está ele pronto para entrar no seu típico "overdrive". E não perde tempo! Ainda mal abri os olhos e já mil pensamentos apareceram!

Memórias do que vivi e nem sempre as boas... banalidades (para o comum dos mortais) que me disseram mas que nunca mais me saíram da cabeça... tudo o que já devia de ter feito mas faltou sempre coragem... a noção de que o tempo não pára e que alguns sonhos estão cada vez mais perto do impossível... e a inevitável questão "que raio ando cá eu a fazer?!"...

Penso nas pessoas que se afastaram de mim sem eu saber porquê... nas que confiei e considerei amigas e depois me traíram... e no medo imenso de perder as que ainda estão comigo...

Uma hora... uma hora acordada e a minha cabeça já deu a volta ao Mundo e voltou! Uma hora... e eu já estou exausta...

Fecho os olhos, na esperança que o escuro da noite ajude a descansar mais um pouco... mas os separadores deste browser que é a minha mente continuam a abrir uns atrás dos outros... e lá vem a música sabe Deus de qual deles...

Não... afinal é só um dos alarmes para me levantar. Já que não se consegue descansar mais, ao menos que se tente ser produtiva. E não me parece que vá ser um dia fácil para isso... mas cá continuaremos na luta...

A vossa "overthinker".

Tânia

23
Ago22

Anarquia na mente...

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Sabem quando têm vontade de bater com a porta e gritar, bem alto, "F...! Estou farto/a desta m... toda!"? Pois bem... ontem foi um desses dias. Senti-me completamente submersa em anarquia e, claro, isso fez disparar a minha ansiedade. Só não cheguei ao ponto de sentir necessidade de chorar. Mas ter tanta coisa a acontecer à minha volta que não seguiu os padrões que a minha cabeça entende como normais e correctos, fez o click na minha "necessidade" de controlar tudo e, como seria de esperar, acordou a minha ansiedade. Senti-me a pessoa mais incompetente e incompreendida do planeta... como se nada do que eu dissesse ou pensasse tivesse um pingo de lógica ou inteligência. Fiquei sem energia... a bocejar a toda a hora... a querer respirar fundo mas que mais parecia ter falta de ar... com o estômago às voltas e sem vontade de comer mas com uma fome desgraçada... a querer gritar "chega" e depois fechar-me num quarto escuro...

Chego à conclusão que a minha cabeça é ditadora e que eu sou escrava dos seus pensamentos! Quer que a sua realidade seja a correcta e que eu nem questione!

Confesso... estou um bocado cansada desta ditadora. Mal sabe ela que a revolução já começou... e que a anarquia, um dia, se irá instalar...

A vossa "overthinker".

Tânia

21
Ago22

Os homens também sofrem...

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Podemos falar do mote mais estúpido que existe? Porque carga de água é que sempre se assumiu que os homens não choram? Não têm direito a terem sentimentos? Têm de ser de ferro porquê? E porque são apelidados de mariquinhas quando o fazem? 

Os homens são tão humanos quanto as mulheres! Não têm de guardar tudo para eles ao ponto de alguns (demasiados!) optarem pelo suicídio por já não aguentarem mais a pressão da invencibilidade mental!

Os homens também sofrem e, por serem "obrigados" a sofrer em silêncio, a sua dor chega a ser muito superior à das mulheres! E não tem de ser assim! Qual é a lógica?! Porque não se acaba com este estigma?!

Ontem vi um vídeo de um lutador de UFC e as palavras deles ficaram-me marcadas... "prefiro ter um amigo a chorar no meu ombro hoje do que ir eu chorar ao funeral dele na próxima semana"...

E é isto mesmo! Desculpem ser egoísta neste sentido, mas prefiro ter um amigo a chorar à minha frente, a deitar tudo cá para fora e a tirar um peso dos seus ombros do que ficar sem ele e acabar eu a chorar no seu funeral, com o peso na consciência de não ter feito nada para o ajudar! Posso não conseguir ajudar muito... nem dar grandes conselhos... mas tenho dois ouvidos e dois ombros! E, mais do que tudo isso, sei o que custa sofrer em silêncio!

Por isso... tal como fazemos para o bullying e para a saúde mental em geral, façamos também o apelo para acabar de vez com esse estigma de que os homens não choram! Eles choram! Eles sofrem! Eles quebram! Eles são "só" humanos...

A vossa "overthinker".

Tânia

21
Ago22

Nem todos vão perceber...

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Desculpem esta ausência... muita coisa na cabeça e sem conseguir deitar cá para fora...

Quantas vezes responderam "estou só cansado/a" para não terem de explicar o que se passa na vossa cabeça? Muitas vezes... eu sei...

Seja porque achamos que não vão perceber ou porque não vão valorizar o nosso estado, acabamos por dar a resposta "chapa 3", com a esperança que as perguntas terminem por ali.

Mas quem se preocupa realmente connosco sabe... não precisamos de dizer nada nem de dar desculpas esfarrapadas... eles sabem... eles percebem quando não estamos bem. Podem não insistir, mas fazem por nos dar a entender que, se precisarmos, eles estão ali.

E isso, muitas vezes, faz toda a diferença. Porque sabemos que alguém se importa connosco mas que também sabe respeitar o nosso espaço e o nosso tempo... que por vezes é mesmo só o que precisamos... ficar um tempinho no nosso canto para pormos as ideias no sitio.

A vossa "overthinker".

Tânia

 

18
Ago22

Não alimentem a ansiedade...

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"- Depois preciso de falar contigo..."

"- Sobre...?"

"- Não é nada de importante ou grave... depois falamos..."

Epa... não! Isto é do pior que se pode dizer a uma pessoa ansiosa e cuja cabeça não pára. É logo accionado o chip dos "filmes"... e ficamos logo a pensar nas 200 mil hipóteses do que possa ser! Começam os calafrios... as taquicardias aparecem... e relaxar é para esquecer. Não há cá "então se não é nada de importante, siga... ok..."! Não há cá nada disso... muito pelo contrário... a cabeça vai do "tranquilo" ao "caso de vida ou morte" em meio segundo!

É como o "deixa... isto passa... não te preocupes..."! Ora é obvio que uma pessoa se vai preocupar e pensar logo no pior cenário! Ou falam ou nem começam a conversa! Pessoalmente prefiro a primeira opção... posso não ajudar muito mas sei que, às vezes, falar ajuda e alivia bastante. Podemos não ter grandes conselhos para dar, mas sabemos por experiência própria, o bem que faz deitar tudo cá para fora. E nunca se sabe se até nem se encontra uma solução para o problema!

Não deixem os assuntos "no ar"... a ansiedade não gosta nada disso... ou melhor, até adora porque tem "alimento", se for preciso, para um dia inteiro! E se uma manhã ou tarde com uma crise de ansiedade é do mais desgastante que pode haver para quem sofre de ansiedade.

Fale logo! Não se fechem! Não adiem conversas!

A vossa "overthinker".

Tânia

16
Ago22

Agulhas mas das boas...

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Não gosto de tomar medicação e só tomo se não tiver mesmo mais nenhuma alternativa. Devido a várias crises de lombalgias, decidi experimentar a acupunctura... e foi a melhor coisa que fiz. Passei de tomar medicação com uma pontinha de morfina para medicação nenhuma! 

Numa sessão aqui há tempos, comentei que tinha começado a ir a consultas de psicologia para tratar as crises de ansiedade antes que elas "tratassem" de mim e tivesse de recorrer a medicação. Qual não é o meu espanto quando o médico, técnico, como lhe queiram chamar me diz "uma vez que vamos dar descanso às costas e começar com o tratamento da sinusite, podemos ajudar também na ansiedade... é só pôr mais uma ou duas agulhas"... e foi música para os meus ouvidos!

Até pode haver quem diga que aquilo é efeito placebo, mas o que é certo é que consigo relaxar mais e "desligar" melhor o cérebro com as agulhas espetadas do que em meia hora ou uma hora a olhar para um ponteiro (método "suis generis" que o psicólogo usa...)! Ao ponto de ressonar! Que o técnico diz que lhe dá uma tremenda satisfação porque é sinal que estou mesmo relaxada! 

Hoje foi dia de sessão... e se ontem foi um dia mau, hoje foi o reset que precisava. Tenho cá para mim que ele espeta alguma agulha que repõe as definições de fábrica da cabeça! Eheheh...

A vossa "overthinker".

Tânia

16
Ago22

Chorar lava a alma...

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E aqueles dias em que já não acordamos bem? Em que só nos apetece é ficar fechados no escuro do quarto, deitados e a chorar? Sem sabermos porquê... mas até parece que, se chorarmos, ficamos bem.

Não temos nenhuma preocupação no momento... nenhuma dor... nada que se justifique... mas encetamos uma luta durante todo o dia para não deixar cair uma lágrima que seja. 

Pensamos no que andamos a fazer neste Mundo e até se fazemos assim tanta falta. E sentimos que somos incompetentes em tudo... vida pessoal, trabalho, vida social... uns completos zeros em tudo!

Não podendo hibernar, optamos por ficar calados e seguir as nossas rotinas... mas há sempre aquela alminha que nos diz "não estejas assim... nem tens motivos para isso... vá, anima-te..."! Sim, alminha de Deus... porque uma pessoa até tem um botão On-Off para desligar o cérebro! Enfim...

E para não ouvirmos destas ou piores, aguentamos... aguentamos até conseguirmos estar sozinhos e livres para deitar tudo cá para fora sem nos chamarem reis ou rainhas do drama.

Deitados na cama, à noite... enquanto vamos no trânsito... na pausa que fazemos entre sair do trabalho e voltar para casa... 5 minutos... 5 minutos de choro, muitas vezes, é o suficiente para aliviar.

Ontem foi um dia desses... ontem foi um dia mau...

Um dia de acordar com um aperto no estômago, que não me largou em todo o dia e me deu calafrios. Questionei tudo... a qualidade do meu trabalho... se mereço os amigos que tenho ou até o ar que respiro... se vale a pena continuar a lutar por sonhos e objectivos... ou até se vale a pena continuar as consultas de psicologia!

Foi dia de escorregar 10 metros no poço quando já tinha conseguido subir 5...

Ontem foi um dia que a cabeça vai esquecer, como sempre. Ao menos isso... ainda consigo abafar os dias maus na memória... quase que fazer um reset durante o sono...

Que o próximo seja melhor... ou, pelo menos, que não me queira isolar nem precise de chorar...

A vossa "overthinker".

Tânia

15
Ago22

Quando perder mete medo...

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Tenho muito medo de perder... não só bens materiais como, principalmente, aqueles que me são mais chegados.

Os bens materiais, eu sei... é estúpido... mas custa-me quando acontece algo que ponha a hipótese de perder na mesa. Por exemplo, há pouco tempo estalei o ecrã do telemóvel e senti a alma a estilhaçar quando aconteceu... algum tempo depois bateram-me no carro (só chapa, sem feridos) e acabei a ter um ataque de pânico ou ansiedade, nem sei bem... é uma parvoíce reagir assim, mas é mais forte do que eu.

Mas quando essa hipótese de perda é relativa a quem pertence ao meu minúsculo círculo de família e amigos... meu deus! É como se um pouquinho de mim se definhasse! A cabeça entra em espiral e, se antes já andava sempre a 1000, nessas alturas anda a 5000! O coração não consegue acalmar enquanto não sei que está tudo bem... a concentração é abaixo de zero... e tenho arrepios pela espinha acima uns atrás dos outros.

Não gosto de estar sempre a ligar-lhes, nem marcar encontros ou a chatear... mas saber que eles estão lá e que estão bem, deixa-me bem! Como falei no primeiro post, pudesse eu e embrulhava-os naqueles plásticos das bolinhas e atava-lhes um cordel infinito ao tornozelo. Ligava-os a mim para sempre! 

E é algo que não consigo compreender... o porquê deste medo irracional da perda...! Tenho consciência que nada é eterno e que não controlo nem o meu destino, quanto mais o dos outros! Só de pensar nisso, na hipótese de os perder, dá-me um nó no estômago e na garganta e tenho de fazer um esforço desumano para não deixar cair uma lágrima sequer...

Devíamos de ser imortais... isso é que era...

Ou, se calhar, eu é que devia de ser menos... "anormal"...!

A vossa "overthinker".

Tânia

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